Seguidores
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Muito prazer, Goiânia!
"- Muito prazer, Goiânia!" . 2003". Flyers, cartões, imãs de geladeira, etc. em molduras de gesso. Acervo UFG. Obra de Carlos Sena que participa da exposição "A cidade é o Lugar" no Museu de Arte Contemporânea de Goiás - Centro Cultural Oscar Niemeyer, à partir do dia 11 de dezembro de 2012.
_______________________________________________________________
Uma coleção de impressos emoldurados sinalizam os diversos produtos e serviços, à disposição dos sujeitos nas metrópoles atuais. Imagens efêmeras e descartáveis, que nos invadem diáriamente a existência, através dos multi-canais midiáticos e massificadores, anunciando a saciedade do corpo e a transcedência do espírito. Aqui, instaura-se um verdadeiro corolário de promessas de felicidades, e facilidades para se viver numa cidade grande, e numa sociedade que, é toda ela vocacionada ao progresso. No conjunto imagético inclui-se os flyers, panfletos, cartões, imãs promocionais e anúncios de shows, festas, espetáculos, restaurantes, seviços deliverys, cartões de créditos, de contatos, etc..., e estes, juntos na proposta artística, acabam também por indiciarem à uma espécie de crônica contemporânea da atualidade, motivada numa Goiânia do início dos anos 2.000.
_______________________________________________________________
Na urbe caleidoscópica que o material exibe, "apresentando-se aos contatos amistosos e prazeirosos", percebemos que, na aparência programada ao consumo, é residual os resquícios da memória visual e do gosto do século passado, que aqui são vistos num processo de apagamento e de amnésia coletiva; esse aspecto, contrasta agora, com a nova visualidade instaurada pela colorida coleção de imagens que foram emolduradas. As imagens descartáveis de propaganda e de publicidade sinalizam às promessas de um futuro com mais prazer e conforto num lugar utópico, onde todos os sonhos são passíveis de serem realizados. Assim, nos sugere esse universo de aparências programadas à substituição contínua de modelos e de mensagens, nesse jogo onde elas que estão sempre à nossa disposição para nos servir, e nos comunicar intermitentemente, os seus serviços e vantagens. Estas imagens/mensagens, no fundo nos comunicam também, o domínio de um sistema pautado num modelo de mundo, que está sempre em completa transição, e voltado apenas, a promoção da eficácia do consumo.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
"MUTLEY, FAÇA ALGUMA COISA!..."
ASSIM FOI O CAPÍTULO FINAL DA NOVELA MEDALHA, MEDALHA, MEDALHA!..."
________________________________________________________________
Os textos de apresentação dos homenageados com as Medalhas de Mérito Cultural durante a entrega do Troféu Jaburu 2012, não foram lidas na cerimônia oficial ocorrida no Palácio das Esmeraldas no dia 21 de novembro, quando então, optou-se por uma redução no tempo de duração daquele ato simbólico. Publico aqui o texto que me referendava a Medalha de Mérito Cultural Artes Plásticas, apoiado na crença que a minha homenagem,assim como as demais, a princípio foram sugeridas pelas categorias artísticas e/ou culturais, e posteriormente corroboradas pelo Conselho de Cultura Estadual de Goiás; quando este, nos preparou os tais textos. Porisso estou reproduzindo aqui, e em destaque, a minha apresentação particular. Eu a retirei de um dos poucos papéis impressos, providenciados pelo cerimonial e distribuídos no salão. Esclareço que, eu não estou fazendo isto por qualquer destrato político, ou como, uma atitude de desagravo aos organizadores do evento em sí, por terem enxugado a tal cerimônia; pois isso confesso que, no fundo eu até achei muito bom, devido ao calor insuportável que fazia naquela noite, e, a que nenhum ar-condicionado fora capaz de refrescar a grande multidão que se acotovelava no Sala D. Gercina Borges. Embora eu entenda também, que o público presente merecia sim, conhecer às razões das homenagens em sí, com ou sem calor. Mas, a razão principal de reproduzir a minha apresentação aqui, é tão somente porque, eu me sentí muito honrado com o reconhecimento do meu trabalho e da minha trajetória de vida, compromissada com os desenvolvimentos da arte local, e, a que esse texto então, intentava esclarecer e tornar público. Só agora, eu posso compartilhar a que deveria ter sido a minha apresentação, e assim, eu posso atingir ao menos em parte, ao seu propósito original.
_______________________________________________________________
Carlos Sena - Artista plástico, Rosa Berardo - Audio-Visual e Eriberto Bevilacqua - Vice-Reitor da UFG, representando a Rádio Universitária.
_________________________________________________________________
DIRIA ASSIM, O DISCURSO DA MINHA APRESENTAÇÃO:
_________________________________________________________________
CARLOS SENA PASSOS (Artes visuais)
_________________________________________________________________
Carlos Sena Passos tem uma vitoriosa carreira como artista plástico, como incentivador de jovens artistas, gestor cultural e divulgador das artes plásticas em Goiás. Como artista, participou de gabaritadas exposições individuais e coletivas, regionais e nacionais. Participa com várias obras da Coleção Gilberto Chateaubriand e do acervo do MAM – Rio. Mestre pela Escola de Comunicação e Artes da USP e professor da Faculdade de Artes Visuais da UFG. Participou ativamente da criação e implementação do Centro Cultural da UFG. Sob a sua direção, este espaço obteve para o acervo obras premiadas de artistas contemporâneos nacionais, doadas pelo Prêmio SESI Marcantônio Vilaça e Itaú Cultural. Vencendo o Edital da Funarte, realizou o 1° Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste com a participação de importantes críticos nacionais e artistas da região.
_________________________________________________________________
LISTA COMPLETA DOS HOMENAGEADOS DO TROFÉU JABURU 2012
_________________________________________________________________
Finalista e um dos vencedores do Prêmio Jabuti deste ano, o escritor Edival Lourenço foi o 48º homenageado com a comenda maior da cultura goiana, concedida todos os anos pelo Estado de Goiás. A solenidade de entrega do Troféu Jaburu 2012, que também celebrou os 45 anos de criação do Conselho Estadual de Cultura, aconteceu no Palácio das Esmeraldas no 21 de novembro, às 20 horas.
_________________________________________________________________
Criado por resolução do Conselho Estadual de Cultura de Goiás (CEC-GO), o Troféu Jaburu foi entregue pela primeira vez à Cora Coralina, há 32 anos. A escolha da pessoa homenageada a cada ano é feita pelos conselheiros e o troféu é entregue a personalidades que se destacam no campo da cultura, seja pela sua promoção, por intensa militância ou excepcional produção.
_________________________________________________________________
Edival Lourenço, 2º lugar na categoria romance do Prêmio Jabuti com a obra “Naqueles morros, depois da chuva”, foi eleito este ano para receber o Troféu Jaburu, em reconhecimento ao conjunto de sua produção. Outras vinte e seis comendas (entre medalhas e diplomas) forão entregues a artistas, produtores, gestores públicos, representantes da cultura popular e instituições de destaque.
_________________________________________________________________
As Medalhas do Mérito Cultural foram concedidas a Valdivino Braz (letras), Valéria Figueiredo (artes cênicas - dança), Rosa Berardo (audiovisual), Consuelo Quireze (música), Carlos Sena Passos (artes plásticas) e Custódia Annunziata Spencièri (memória e patrimônio), pessoas que tiveram uma trajetória de significativa dedicação a ações nesses segmentos.
_________________________________________________________________
Por sua vez, os Diplomas de Destaque Cultural do Ano, foram concedidos às pessoas físicas e jurídicas que mais se sobressaíram nas atividades culturais nos últimos doze meses, também entregues na solenidade de quarta-feira. Foram homenageadas as Festas do Divino Espírito Santo de Crixás e de Jaraguá, a Rádio Universitária de Goiânia (UFG), o Instituto Histórico Geográfico de Goiás (IHGG), o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) e o Teatro SESI, além de artistas do circo, da música e do audiovisual. Participaram da solenidade homenageados vindos de doze municípios goianos. Confira a lista completa das pessoas e instituições que receberam as Comendas Culturais do Estado.
______________________________________________________________
HOMENAGEADOS COM AS COMENDAS CULTURAIS DO ESTADO:
______________________________________________________________
TROFÉU JABURU: Edival Lourenço de Oliveira
______________________________________________________________
______________________________________________________________
MEDALHAS DE MÉRITO CULTURAL:
______________________________________________________________
· Valdivino Braz (letras)
______________________________________________________________
· Valéria Figueiredo (artes cênicas - dança)
______________________________________________________________
· Rosa Berardo (audiovisual)
______________________________________________________________
· Consuelo Quireze (música)
______________________________________________________________
· Carlos Sena Passos (artes plásticas)
______________________________________________________________
· Custódia Annunziata Spencièri (memória e patrimônio)
______________________________________________________________
______________________________________________________________
DIPLOMAS DE DESTAQUE CULTURAL DO ANO DE 2012:
______________________________________________________________
· Adalto Bento Leal
· Adriana Rodrigues
· Antolinda Baía Borges - “Tia Tó” (Cidade de Goiás)
· Associação de Artesãos de Valparaíso de Goiás (Amorval) / Prefeitura Municipal de Valparaíso de Goiás
· Associação de Catireiros e Foliões de Crixás (ACFC-GO) / Grupo de Catireiros de Crixás / Prefeitura Municipal de Crixás.
· Associação de São José (Bela Vista de Goiás)
· Coletivo Cine Cultura
· Fractal Filmes
· Folia do Divino de Jaraguá / Banda Santa Cecília / Paróquia Nossa Senhora da Penha
· Hugo Caiapônia
· Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG)
· Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG)
· Jhony Robson dos Santos - “Bulacha”
· Juliano George Basso (Vila de São Jorge – Alto Paraíso)
· Maria da Piedade Gonzaga Lopes (Orizona)
· Casa de Cultura - Prefeitura Municipal de Bom Jesus de Goiás
· Rádio Universitária - Universidade Federal de Goiás (UFG)
· Teatro SESI
· Tião Donato (Inhumas)
· Walter Menezes
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Goiandira do Couto e a pintura/colagem com as areias multicoloridas da serra dourada.
Deire Assis entrevista Carlos Sena
O Popular
Qual o significado da obra de Goiandira do Couto para Goiás e o Brasil?
Carlos Sena
Goiandira do Couto foi a primeira mulher pintora do estado Goiás, e ela, já aos 16 anos encarou a pintura como ofício, mas, só vai alcançar mesmo a sua maturidade artística, quando começar enfim, a desenvolver a sua técnica de pintura/colagem com as areias coloridas da serra dourada. Desenvolveu uma temática inspirada nos tradicionais casarios coloniais, ruas e becos da Cidade de Goiás, criando uma arte que lhe conferiu um reconhecimento que se ampliou do local aos muitos admiradores no plano nacional, e conseguiu também fazer muitas incursões no colecionismo internacional, disseminando suas pinturas por diversos países do mundo.
Goiandira do Couto e Oto Marques foram os dois artistas pioneiros na representação do paisagismo no estado de Goiás, e que, se inspirando no bucolismo da antiga capital, ajudaram em muito, a criar uma identidade visual goiana na pintura do séc. XX.
O Popular
Só mais tarde Goiandira desenvolveu a técnica com areias. Isso comprova o espírito inovador e criativo desta artista?
Carlos Sena
Em 1967 exatamente quando ela tinha os seus 52 anos, ela radicalizou de vez a sua técnica, encerrando aí, a fase da pintura a óleo quando manobrava finos pincéis, passando a manipular então, as cores em estado bruto obtidas dos pigmentos minerais que coletava na serra dourada, e são estes pigmentos, que lhes escorrendo dentre os dedos, irão conferir aquela famosa luz dourada às inimitáveis paisagens goianas que pintou. São vistas de Goiás aprisionada dentro da serra dourada, e esta serra, é que além de conferir a matéria-prima inusitada para a artista se expressar, é também a fonte de onde emana a luz dourada refletida na cidade justificando aí o seu nome de “Serra dourada”, e foi esse clima dourado da Cidade de Goiás, que Goiandira do Couto magistralmente conseguiu capturar nas suas pinturas .
O Popular
A técnica pioneira de Goiandira fez seguidores?
Carlos Sena
Em todas as áreas do conhecimento, sempre que alguém cria algo novo, logo na sequência, surgem os imitadores. Com Goiandira também não foi diferente, ao longo da sua existência teve um séquito deles, eu mesmo já ví uns três ou quatro; mas, o mais importante disso tudo, será que ao contrário dela, nenhum deles alcançará reconhecimento público, e a técnica de pintura/colagem de areia, não importa quem a use, será sempre reconhecida como a técnica da Goiandira do Couto.
O Popular
Como fica a cultura de Goiás sem Goiandira?
Carlos Sena
O artista é gente, e toda gente é finita. Agora, quanto a natureza da Arte, muito antes e também pelo contrário, pretende-se eterna. Então,podemos pensar que o estado ficou mais pobre porque perdeu a grande cidadã, e a Cultura ficou enriquecida com a sua produção, e esta agora já podemos dizer, está concluída. Poderíamos dizer também, que agora a sua obra já está iniciando um outro ciclo, que é até muito maior e mais complexo, a sua produção agora trilha o caminho do reconhecimento histórico, ou da produção simbólica de uma época, engendrando assim uma dimensão que envolve ao seu legado artístico enquanto um patrimônio cultural do estado de Goiás.
Entrevista concedida no dia do falecimento de Goiandira do Couto (22/08/2011), e publicada parcialmente em O Popular de 23/08/2011, aquí exibida na íntegra. FOTO: Marcos Lobo
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Comenda de Honra ao Mérito – Anhanguera
Pitágoras Lopes, Divino Sobral e Carlos Sena - "Tá Comendado!..."
Tudo aconteceu muito rápido, e de repente lá estávamos Pitágoras, Sobral e eu dentre os homenageados de 2011. Daqueles que, iriam receber a Comenda Anhanguera – maior distinção conferida pelo Governador, na cerimônia de transferência simbólica da capital do estado de Goiás para a Cidade de Goiás, a antiga Vila Boa. Nela, que atualmente ostenta o título de patrimônio da humanidade, e que também fora no passado a sua primeira capital. Através dessa cerimônia oficial, todo ano a Cidade de Goiás recupera simbólicamente o status-quo de capital durante as comemorações de seu aniversário, e dentre estas comemorações, um dos momentos mais esperados é a Cerimônia de distribuição da Comenda Anhanguera, para um time de personalidades estaduais duma seleta lista que o Governo organiza para tal ocasião. Coisas da história e da tradição goiana!
Pois bem, foi nessa lista fechada que fomos incluídos em 2011, e porisso rumamos todos nós, para a famosa cerimônia na Cidade de Goiás. Alí, naquele fim de uma manhã de julho do dia 27, numa quarta-feira, no largo do chafariz de cauda, debaixo de um sol a pino, na frente da antiga cadeia, e com a Vila Boa literalmente aos nossos pés; comparecemos quando se armou a cerimônia oficial desse ano, e esta, com a presença do Governador Marconi Perillo, com diversas autoridades discursando, e também com os agraciados perfilados (centenas deles) lado a lado; suando em bicas dentro de suas roupas festivas, e corações disparados no meio de toda aquela exposição pública; a cerimônia em sí, que me parecia mais, um misto de rito militar e celebração olímpica com direito a pódio. Tudo isso era promovido então, em nome dos supostos feitos honoríficos, que nos asseguraram, termos prestados ao estado.
Essa era o tipo de situação que, você nunca saberia ao certo do porque, ou como, isso de fato, fora acontecer justamente com você. E logo você, que nunca tinha sonhado com algo assim, ou sequer invejou a quem e por acaso um dia, já tivesse conseguido tal tipo de distinção; e bem você que, até lá no fundo do seu eu, regojizava-se de prazer porque jamais faria parte desse rol, ou dessas tribos. Mas agora, por ironia do destino, uma vez que tivera sido incluído na lista dos Comendadores de Goiás, não se daria mesmo, para recusar à tal homenagem, pois acredito que ela simplesmente é, uma espécie do “Oscar do Cerrado”; e mesmo que não concordemos com esse tipo de estratégia de promoção política, uma vez distinguidos, não nos resta outra escolha que não seja encarar esse fato de frente, e também ao seu ritual. Afinal de contas, acredito também, que não devemos retribuir distinção e respeito com recusas e falta de educação para com os que nos atribuíram e/ou outorgaram reconhecimentos de méritos nos nossos feitos. Diz a sabedoria popular que, quem está na chuva, tem que se molhar. Aqui nesse caso, na verdade seria melhor se dizer: quem está no sol abrasador da Cidade de Goiás esperando Comenda-Anhanguera, que se molhe também, que sue todas as suas bicas, que empapem às suas roupas de festas, mas, mantenham as suas poses e esperem humildes e solenementes ,a vez de cada um deles, ser agraciado com a tal medalha honorífica. Quem seria bobo de recusar tal homenagem? nunca se sabe o dia de amanhã. E vai que, de repente, seja necessário provar sabe-se lá para quem, que você é um sujeito respeitável! Por via das dúvidas, melhor aceitar a homenagem e comparecer à cerimônia.
Assim, num determinado momento dessa solenidade, surge na sua frente, um fardado militar de alto escalão, tal fato esse, indiciado pela enorme quantidade de medalhas e comendas que ele ostentava no seu fardão, e esse militar, postado à sua frente, lhe cumprimenta em nome do Governador do Estado de Goiás. Em seguida, pega uma das diversas medalhas que uma jovem e bela, e também, policial militar segurava numa bandeja, e diz: - “Em nome do Governo do Estado de Goiás, eu estou lhe entregando a Comenda da Ordem ao Mérito – Anhanguera, a que Vossa Senhoria se fez merecedor, e como reconhecimento pelos relevantes serviços que o Sr. prestou ao Estado de Goiás”. Enquanto ele recita muito compenetrado e oficialmente o texto daquele ritual, uma outra bela moça policial, postada às costas do homenageado, se incubia de amarrar a comenda no seu pescoço. Daí, veio o cumprimento final - Meus parabéns! E então, eles se dirigem para o próximo agraciado da fila para repetir tudo aquilo.
E de repente, com a medalha já pendurada sobre o peito (pesadona ela!) você fica alí como uma barata tonta, procurando alguém conhecido na platéia para exibi-la de perto, e fica também, com uma vontade de fugir dalí, louco para se livrar daquelas roupas suadas pelo calor causticante de Goiás. E mais ainda, fica com uma fome de cão no meio dia que já é; e aí, pensando bem, o melhor agora seria, se mandar daquele lugar para resolver tudo aquilo outro que agora, estava lhe aperreando por demais. Nessa situação, o melhor mesmo, será deixar os exibimento aos amigos para depois, bem depois, e de preferência fazer isso longe dalí pelos e-mails, blogs, twitters e facebooks da vida!
Carlos Sena Passos
quarta-feira, 4 de maio de 2011
1º SALÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO CENTRO-OESTE
O 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste pretende realizar a cada dois anos uma amostragem da arte produzida na região. Sua função é minimizar a enorme lacuna que separa os processos culturais desenvolvidos no Centro-Oeste, e criar uma força institucional no campo artístico que permita conexão, articulação e diálogo entre as produções plásticas de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Luiz Mauro - GO, artista premiado.O 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste nasceu da indagação: qual a cara ou quais as caras da arte contemporânea realizada no Centro-Oeste? Perguntas difíceis de serem respondidas, porque faltam elementos que permitam a visão da identidade desta produção. Entretanto, baseado nas minhas investigações dentro deste território, lanço como prerrogativa a questão da multiplicidade da produção no que se refere aos meios técnicos e materiais, ao uso de suportes e de linguagens e ao repertório poético desenvolvido pelos jovens produtores em cada uma das unidades da Região. No Distrito Federal, apesar dos muitos caminhos existentes, destacam-se tanto o recurso aos meios tecnológicos, como o vídeo, quanto o recurso às linguagens tradicionais do desenho e da pintura, sejam figurativa ou abstrata. Em Mato Grosso a linguagem dominante é a pintura que prossegue em criações de cores ensolaradas que citam a exuberância da natureza e da cultura local. Em Mato Grosso do Sul sem uma identidade tão marcada quanto no Mato Grosso, a produção busca estruturar seu campo de trabalho incorporando influências externas e buscando suportes e linguagens mais atuais.
Pitágoras Lopes - GO, artista premiado.Em Goiás a pintura e o desenho convivem com outras técnicas de natureza experimental e as poéticas se voltam para o indivíduo e seus conflitos com o mundo. Enfim, são muitas as caras da produção contemporânea do Centro-Oeste brasileiro, o que torna complexa a leitura e a interpretação das obras sem a compreensão dos contextos históricos, sociais e econômicos em que foram produzidas estas especificidades artísticas.
João Angelini e André Valente - DF, artistas premiados.Os 20 artistas selecionados e a radiografia do presente
O volume de 277 artistas inscritos no 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste, demonstra a necessidade de ações que visem prestigiar e subsidiar a produção artística da Região. Dentro deste conjunto destaca-se em número de propostas a categoria pintura seguida pela fotografia, e observa-se também que a linguagem videográfica anda sendo mais explorada, enquanto a categoria escultura tem pouquíssimos representantes. Os apontamentos do Salão fornecem elementos para a compreensão dos rumos tomados pela produção artística do Centro-Oeste no começo do Século XXI.
Anna Bheatriz - GO, artista premiada.A Comissão de Seleção – formada por Cayo Honorato (SP), Daniela Labra (RJ), Gilmar Camilo GO), Marília Panitz (DF) e Rafael Maldonado (MS) – selecionou vinte artistas entre os inscritos na concorrência, corporificando um extrato revelador das questões e tendências investigadas pelos artistas contemporâneos, mostrando uma radiografia do presente por meio das obras dos jovens produtores do Centro-Oeste.
A Comissão de Premiação – formada por Aguinaldo Coelho (GO), Celso Fioravante (SP), Felipe Scovino (RJ) e Wagner Barja (DF) premiou quatro propostas entre as vinte selecionadas, contemplando os seguintes artistas: Pitágoras Lopes-GO, Luiz Mauro-GO, João Angelini e André Valente-DF e Anna Bheatriz-GO.
Comissão de premiação: Aguinaldo Coelho-GO, Celso Fioravante-SP, Carlos Sena-Curador, Wagner Barja-DF e Felipe Scovino-RJ.Artistas homenageados
O formato do Salão é renovado com a apresentação de quatro artistas homenageados pela importância de suas trajetórias e de suas contribuições durante décadas de trabalho: Humberto Espíndola do Mato Grosso do Sul, Adir Sodré do Mato Grosso, Edney Antunes de Goiás e Elder Rocha do Distrito Federal. Estes artistas são escolhidos pela curadoria e premiados em reconhecimento ao valor de suas obras para a construção da História da Arte no Centro-Oeste brasileiro, e seus trabalhos passam a integrar o acervo do Centro Cultural UFG.

Humberto Espíndola - MS, artista homenageado.
Com sua poética da Bovinocultura, Humberto Espíndola foi o primeiro artista do Centro-Oeste a se destacar no cenário da arte contemporânea brasileira. Um dos fundadores da arte contemporânea na região, ele foi pioneiro no uso de novos suportes e na criação de instalações e de objetos. Nascido em Campo Grande, onde iniciou sua trajetória, formou-se em jornalismo em Londrina e depois residiu em Cuiabá, onde fez grandes contribuições para o circuito de arte local, como a criação do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso. Depois retornou novamente a Campo Grande e veio a assumir a Secretaria Estadual de Cultura e também a Diretoria do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul. Os papéis de artista, gestor e ativista cultural se mesclaram na trajetória de Humberto Espíndola.
Humberto Espíndola - MS, artista homenageado.A obra de Espíndola premiada pelo salão é significativa e pertence a uma das fases mais importantes do artista; integra a série “Confinamentos” (1972), datada do ano que participou da Bienal de Veneza, na Itália, e da Bienal de Medelim, na Colômbia. O trabalho é um objeto elaborado com couro do boi marcado com sinais de propriedades, crachá de premiação e arame farpado soldado a uma moldura de ferro, é uma obra que traduz a extensão da pesquisa de Humberto Espíndola sobre a Bovinocultura. Para acompanhar esta obra, Espíndola doou ao CCUFG outra obra intitulada “O Banho da Ninfa”, datada de 1995, e que é sua última pintura executada com tinta a óleo. A pintura apresenta figuras antropozoomorficas e revela ligações com a mitologia e com o erotismo.
Adir Sodré - MT, artista homenageado.Adir Sodré pertence à segunda geração de artistas formada em Cuiabá no final dos anos 70 por meio do trabalho desenvolvido dentro do Ateliê Livre da Fundação Cultural de Mato Grosso. Nascido em Rondonópolis, mas vivendo na capital matogrossense, o artista iniciou seus estudos de pintura aos 14 anos de idade, e chegou ao posto de significativo expoente da conhecida Geração 80 Brasileira. A obra de Adir Sodré rompeu a fronteira do Mato Grosso participando de importantes exposições coletivas e realizando mostras individuais em galerias no eixo Rio/São Paulo e fora do Brasil. A linguagem pessoal do trabalho de Sodré se destacou por fazer uma mescla entre aspectos das culturas regional, como a paisagem cheia de frutas exóticas, com personalidades da cultura brasileira como o museólogo Pietro Maria Bardi, e com personalidades da cena internacional como a cantora Nina Hagen e a transformista Divine. Adir se destacou ao realizar cruzamentos entre elementos provenientes das esferas plásticas erudita, popular e de massa, e por mostrar um erotismo fora do comum que domina todas as formas da natureza.
A obra de Adir Sodré premiada pelo Salão é uma pintura de grande formato intitulada “Duas Japas na Amazônia e o Pintor do Mato” (2008), e na qual o artista dispensa o uso de chassis para estruturar o plano, apresentando simplesmente o tecido preso à parede (um procedimento típico dos anos 80). Nesta pintura o espaço é ocupado pelo desenho repleto de detalhes e de ornamentos, pelo colorido iluminado da natureza exuberante; Sodré alia História da Arte e paisagem cabocla, fazendo referência às gravuras japonesas que foram tão influentes sobre o impressionismo, além de colocar seu auto-retrato na cena, flutuando como um anjo pintor.
Edney Antunes - GO, artista homenageado.O artista goianiense Edney Antunes possui uma trajetória iniciada por volta de meados dos anos 80, e como os artistas goianos de sua geração formou-se fora das escolas de arte e dentro do processo do autodidatismo. Desde o início foi marcado pela inquietação que o levava a pesquisar suportes e linguagens para seu trabalho. Integrou o Grupo Pincel Atônico que foi pioneiro na utilização das técnicas de grafite para realizar obras expostas em galeria ou em intervenção na paisagem de Goiânia. Ao longo de décadas de trabalho Antunes investigou materiais orgânicos e industriais; passou da pintura ao objeto e à instalação; criou obras de conteúdo político ou de cunho social; apropriou-se de imagens da mídia e tratou de temas como problemas da infância, violência, religião, medo, marginalidade social, biotecnologia, etc; operou com estratégias de participação e interação do espectador para completar o sentido da obra. Edney Antunes com suas instalações conquistou premiações em salões realizados em Goiás e noutros Estados.
A obra de Antunes premiada pelo Salão é a instalação “ Neo-ready-made Bio-tecnológico” (2000), mostrada primeiramente no VII Salão da Bahia (2000-01). Nesta obra o artista condensa questões que estavam sendo debatidas na época de sua produção, na passagem do Século XX ao XXI, tais como a manipulação genética, clonagem e alteração do corpo. Antunes cita o ready made de Marcel Duchamp, apropriando-se de fotografias retiradas de revistas para serem multiplicadas e exibidas em caixas de luz, ao lado de espelhos de camarins contornados de lâmpadas acesas, que convidam o espectador a se olhar e se colocar em situação semelhante a da ovelha Dolly e de Michael Jackson; a obra funciona como um aparelho que carimba o espectador e aciona visibilidades pela captação especular e pela luminosidade que emana de si mesma.
Elder Rocha - DF, artista homenageado. Nascido em Goiânia, mas residindo em Brasília desde onze anos de idade, o pintor e desenhista Elder Rocha formou-se pela UnB e depois fez mestrado em Londres com bolsa do British Council. De retorno ao Brasil, tornou-se professor formador de novas gerações de artistas na UnB, e desde os anos 80 é um dos mais destacados artistas de Brasília. Suas pinturas oitentistas eram carregadas materialmente e exacerbavam a função do gesto no embate entre o corpo do artista e a pintura que se constituía, porém, mais recentemente ele vem realizando obras empregando imagens ready-mades, extraídas de antigas ilustrações e portadoras de nostalgia, para abordar a crise do olhar provocada pelo excesso de imagens na atualidade. Elder enfatiza a materialidade e a planaridade da tela deslocando-a da condição de simples suporte para a situação de apresentação do campo bidimensional em si, e dessa maneira atualiza o uso do suporte anteriormente tantas vezes colocado em crise.
A obra de Elder Rocha premiada pelo Salão é uma pintura intitulada “Justaposição Polar” (2008), e que foi exibida na exposição individual homônima realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília (2009). A obra de esmerada fatura técnica é uma mistura de desenho e pintura, e representa um homem com faixas amarradas na cabeça e no queixo como se tratasse suas muitas dores, tendo os olhos adoentados, secretando pruridos, sangrando; é uma metáfora dos olhos que de tanto ver ficam cegos pela extrema exposição, situação da contemporaneidade que por estar mergulhada num universo visual ilimitado e em processo de multiplicação, acaba por não mais perceber o que os olhos tocam.
O salão e o acervo do CCUFG
Com o 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste obras de oito artistas (quatro homenageados e quatro premiados) passam a integrar o acervo do Centro Cultural UFG. São aquisições importantes para o acervo, pois introduzem na coleção peças de artistas ainda não representados, ou enriquecem a representação de artistas com outras obras no acervo. O formato dado ao Salão unindo artistas referenciais a artistas emergentes, enlaçando o conhecido e o porvir, visa demonstrar como a História da Arte é uma construção coletiva de artistas de diversas épocas que apostam no futuro e renovam as linguagens e os repertórios. O desafio de um acervo de arte contemporânea (como é a vocação do nosso) é acompanhar este processo de renovação, do qual o Salão é o próprio laboratório.
Carlos Sena Passos
Curador do 1º Salão de Arte Contemporânea do Centro-Oeste, Diretor do Centro Cultural UFG, Professor de História da Arte na Faculdade de Artes Visuais da UFG.
Assinar:
Postagens (Atom)


